É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema; nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem seguro a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem seguro a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro.
VIEIRA, Antônio. Sermões. Apud. SIQUEIRA E SILVA, Antônio de; e BERTOLIN, Rafael. Apostila Língua Portuguesa -- Novo Ensino Médio -- Volume único -- Curso Completo. São Paulo. IBEP, [2003], p. 63.