Nessa época as lojas da cidade tinham ganho outra animação,
com frequência de mulheres fazendo suas compras sozinhas. A vida social em São
Paulo intensificou-se. Após a proibição dos mergulhos no Tamanduateí e o
aparecimento de clubes de natação e regatas ás margens do Tietê, o esporte tomou
impulso. Por influência dos ingleses, foi introduzida o futebol, logo entusiasmando
a população; apareceram as primeiras quadras de tênis e de bola-ao-cesto, e
ganharam destaque as corridas de cavalo, em hipódromos recém-construídos. Aos
domingos a principal distração do povo era ir passear no Jardim do Ipiranga,
onde se divertia andando de carrossel, assistindo a teatrinhos de bonecos,
participando de uma quantidade de jogos e competições. Ia-se a piqueniques, a
sessões de circo, a concertos de bandas no coreto do Jardim da Luz, a reuniões
dançantes em clubes recreativos, a espetáculos de teatro, de óperas, de
operetas.
Como em todas as cidades do Brasil, havia o famoso footing,
passeio a pé, numa rua ou numa praça – moça de um lado, rapazes do outro –
trocando olhares, sorriso, bilhetinhos. Foram célebres no passado os footing da
rua 15 de Novembro e da rua Direita. Várias confeitarias haviam-se tornado
muito conhecidas, sendo ponto de reunião obrigatória para famílias inteiras,
que lá iam tomar sorvetes, saborear doces e ouvir sua orquestra. Os
frequentadores de teatro movimentavam á noite os restaurantes e os cafés, onde
tomavam refrescos ou ceavam após os espetáculos. As livrarias mais importantes
transformaram-se em local de encontro de escritores, jornalistas e estudantes,
para gostosos bate-papos, comentários políticos e larga troca de idéias.
O progresso aumentou dia a dia quando novos hábitos e
costumes, trazidos por onda crescente de imigrantes, vieram influenciar a vida
paulista, tornando São Paulo o modelo de cidade dinâmica e cosmopolita, em
contínua expansão.
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. História do Brasil. São Paulo:
Nacional, 1977. p. 144-145. v.2. Apud. CAPÍTULO 9: Economia, sociedade e
cultura na República Velha. [S.l.: s.n., s.d] p. 135 Texto para leitura.)