Hekmat Fahmi


- “Aí vem Hekmat Fahmi” – diz ele. E os aplausos saúdam-na, abafando todas as conversas. Hekmat está de pé, no palco.

-- É uma maravilha, como os jardins de Semíramis – observa o major.

Aquela mulher é realmente bela, de uma beleza árabe. Não se trata de uma girl norte-americana de pernas compridas, porém de uma mourisca de formas perfeitas, com movimentos de gata e olhos magníficos. Tem um verdadeiro perfil egípcio, e que arte na dança! Sem dúvida é uma coisa impossível de ver fora do Cairo, mesmo no Wintergarten ou no Scala de Berlim, no Folies – Bergères ou no café de Paris, ou ainda no Picadilly Circus de Londres. Ninguém no “kit-kat” e bem poucos no Cairo sabem que essa mulher é uma das principais fontes de informações da contraespionagem alemã. Quando Hekmat terminou sua dança houve uma explosão de entusiasmo, os espectadores gritavam jogando flores.

CARELL, Paul. AFRICA KORPS. São Paulo: Flamboyant, 1967.  p. 236.