Batalha de Infantaria 


Essencial em todas as batalhas de infantaria, na era do cavalo e do mosquete, era que os homens lutassem ombro a ombro, para concentrar fogo em volume suficiente a fim de rechaçar um ataque. Para a infantaria, era considerado imprescindível o exercício de ordem unida de batalha, já que muitos dos seus líderes acreditavam, com certa razão, que da camaradagem resultava mais coragem para enfrentar o inimigo. Depois que as armas modernas obrigaram à dispersão, o problema de se manter o moral dos grupos pequenos e dos soldados isolados avolumou-se. Naturalmente, os homens que não se assustavam facilmente e os que, através do treinamento, aprenderam a dominar o medo, são líderes naturais. Mas quando esses líderes ficam isolados dos seus seguidores assustados, é muito provável que haja pânico. O grande problema da comunicação, que desafia o líder da infantaria, está em como transmitir a seus comandados sua vontade e [...] determinação, estejam eles próximos ou distantes, para lhes manter de pé o ânimo e o espírito de luta. 

É evidente que o aparecimento dos tanques derrubou todas as convenções do campo de luta, assim como as carroças de batalha de Zizka – líder dos exércitos hussitas. Eles utilizavam carroças de batalhas, empregando táticas que prenunciavam o surgimento dos tanques. No século XV, dominaram partes da Boêmia; o fanatismo religioso e a luta pela sobrevivência, explorados pela direção habilidosa de João Ziska, incontestavelmente produziram a determinação que os levou a vitórias – derrubaram as convenções bélicas de sua época. Os tanques triunfavam quando agiam em falange, com rapidez e seguindo a linha de aproximação menos provável – física e psicológica. Mas quando falhavam, por deixarem de obedecer a qualquer das regras para elas criadas, as guarnições dos tanques quase que invariavelmente continuavam lutando – características não só das guarnições de tanques, mas também das guarnições dos carros blindados da infantaria, da artilharia blindada ou dos canhões de assalto. 

Num veículo blindado, é mais difícil para o homem sucumbir ao medo. Ele sabe que algum companheiro na guarnição estará disposto a prosseguir – talvez os comandantes, que dá ordens que os outros têm de obedecer. Portanto, o motorista passa a marcha, solta a embreagem e leva-os todos avante, enquanto que o resto da guarnição é obrigado, queira ou não, a disparar contra o inimigo com suas armas poderosas. O veículo blindado é uma jaula móvel que, se leva o medo, leva também a coragem. E como os blindados, especialmente os tanques. E como os blindados, especialmente os tanques, carregam um potencial de fogo tão grande e oferecem tanta “segurança” aos seus ocupantes, as possibilidades de dominarem o inimigo são muito maiores. 

Concluindo, veja-se o formidável moral da elite das tropas alemães, que primeiro guarneceu as divisões Panzer do exército e, mais tarde, as divisões Panzer das Waffen-SS. Esse moral decorria do fato de se saberem tropa de elite e do que lhes incutiram homens como Lutz Von Thoma, Guderian e Dietrich, que as formaram e treinaram, e as transformaram num punho de aço que malhou até não mais poder. 

Escrito em grandes letras, acima de seus feitos de guerra, está o espírito que os animou como combatentes, um espírito baseado na camaradagem da guarnição do carro, da unidade tática das seções, pelotões, companhias, batalhões, regimentos e divisões, até os níveis de corpo e de exército, onde um código especial de comunicações baseado em parte nos exercícios, em parte no intelecto, descobriu uma linguagem pessoal que transformava uma linguagem pessoal que transformava os homens de uma Panzerdivision em algo diferente das demais forças armadas alemães, e superior à maioria dos adversários. 

Nunca antes na História houve um exército como o que deveu suas vistorias ao Panzertrupper alemão, que, por ter nascido, crescido, lutado e morrido como uma Arma de decisão independente, livre das regras e restrições ultrapassadas das armas tradicionais da Cavalaria, da Infantaria e da Artilharia, instituiu o tipo excepcional de Guerra Blindada, que até hoje permanece quase irresistível.

MACKSEY, Major C. Divisões Panzer os punhos de aço. Rio de janeiro: Editora Renes, 1974. P. 156-157.