Desde o desembarque em Passo da Pátria(1) até a ocupação aliada de Humaitá, distante vinte quilômetros, a guerra foi basicamente de posições, travada nos limites de confluência entre os rios Paraná e Paraguai e a linha de defesa construída por Solano López. Era uma realidade nova, pois até então se travara, na Europa e no Rio da Prata, guerras rápidas, de movimento, com uso predominante de cavalaria e artilharia e batalhas campais decisivas. A Guerra Civil norte-americana (1860-1865) iniciou a mudança na forma de guerrear, pois foi longa, exigiu a mobilização de vastos recursos de toda a sociedade, e tornou-se, portanto, uma “guerra total”, novo conceito para uma nova realidade na tecnologia de armamentos. Na luta norte-americana utilizaram-se trincheiras e novas armas, como rifles de repetição, encouraçados, balões de observação e até um rudimentar submarino, características que implicavam maior mortandade e duração dos conflitos.
A Guerra do Paraguai foi à segunda “guerra total” da época contemporânea e a ela tiveram dificuldades de adaptação os chefes militares aliados, que fizeram “carreira combatendo em conflitos rápidos”, nos quais o fator decisivo era a cavalaria e o armamento principal, espadas e lanças. Esses comandantes não tiveram tempo – e grande parte não teria, também, condições intelectuais - para assimilar as lições da Guerra Civil norte-americana, que terminou quando a luta contra o Paraguai se iniciava. O Exército brasileiro no Paraguai operou, no início, a partir de táticas decorrentes da “doutrina militar” implementada em 1855 por Caxias, então ministro da Guerra. Essa doutrina fora elaborada a partir da experiência nas lutas internas brasileiras e, ainda, sob influência portuguesa, inglesa e francesa. A inflação adotou o sistema de instrução proposto pelo coronel do Exército português, Bernardo Antônio Zagalo, que preconizava o domínio da ordem unida no campo de batalha, que visava, particularmente, à realização do tiro nas melhores condições, seja avançando ou recuando, e podia ser realizado a pé firme, em conjunto ou por atirador. A baioneta era utilizada como arma ofensiva no assalto e, na defensiva, contra o ataque da cavalaria, os infantes se concentravam na forma geométrica de quadrados.
A cavalaria, por sua vez, adotou o regulamento de tática do general inglês Beresford, pelo qual o objetivo dessa arma era o do ataque, pois tinha velocidade e potência de choque. A artilharia montada usava o regulamento francês, elegendo como seus alvos principais a infantaria e cavalarias inimigas. (Stanislawczvk 1996)
Além dessas três armas – artilharia, cavalaria e infantaria – havia os chamados corpos especiais, aos quais se encontrava agregado o Batalhão de Engenheiros, encarregados de organizar o terreno e proporcionar a transposição de pequenos cursos de água. Esse batalhão, embora pouco valorizado por generais sem formação em academia militar, foi fundamental em uma guerra travada, em grande parte, em terreno pantanoso ou cortado por rios e riachos e, ainda, em trincheiras que tiveram que sair rapidamente construídas.
A Guerra do Paraguai foi à segunda “guerra total” da época contemporânea e a ela tiveram dificuldades de adaptação os chefes militares aliados, que fizeram “carreira combatendo em conflitos rápidos”, nos quais o fator decisivo era a cavalaria e o armamento principal, espadas e lanças. Esses comandantes não tiveram tempo – e grande parte não teria, também, condições intelectuais - para assimilar as lições da Guerra Civil norte-americana, que terminou quando a luta contra o Paraguai se iniciava. O Exército brasileiro no Paraguai operou, no início, a partir de táticas decorrentes da “doutrina militar” implementada em 1855 por Caxias, então ministro da Guerra. Essa doutrina fora elaborada a partir da experiência nas lutas internas brasileiras e, ainda, sob influência portuguesa, inglesa e francesa. A inflação adotou o sistema de instrução proposto pelo coronel do Exército português, Bernardo Antônio Zagalo, que preconizava o domínio da ordem unida no campo de batalha, que visava, particularmente, à realização do tiro nas melhores condições, seja avançando ou recuando, e podia ser realizado a pé firme, em conjunto ou por atirador. A baioneta era utilizada como arma ofensiva no assalto e, na defensiva, contra o ataque da cavalaria, os infantes se concentravam na forma geométrica de quadrados.
A cavalaria, por sua vez, adotou o regulamento de tática do general inglês Beresford, pelo qual o objetivo dessa arma era o do ataque, pois tinha velocidade e potência de choque. A artilharia montada usava o regulamento francês, elegendo como seus alvos principais a infantaria e cavalarias inimigas. (Stanislawczvk 1996)
Além dessas três armas – artilharia, cavalaria e infantaria – havia os chamados corpos especiais, aos quais se encontrava agregado o Batalhão de Engenheiros, encarregados de organizar o terreno e proporcionar a transposição de pequenos cursos de água. Esse batalhão, embora pouco valorizado por generais sem formação em academia militar, foi fundamental em uma guerra travada, em grande parte, em terreno pantanoso ou cortado por rios e riachos e, ainda, em trincheiras que tiveram que sair rapidamente construídas.
Em 1866 e meados de 1867, a Guerra do Paraguai foi uma guerra de posições. Foi um período em que o Exército que esteve na defensiva levou grande vantagem sobre a ofensiva em todos os combates travados.
STANISLAWCZVK, Major Affonso
Henrique. “A Guerra da Tríplice Aliança e suas Contribuições para a
Evolução do Exército Brasileiro.” In: Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Monografia do Curso de Altos Estudos. Rio de Janeiro. 1996, p. 11 Apud. DORATIOTO, Francisco. Guerra Maldita: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras , 2002. p. 195-196.
NOTAS DE RODAPÉ
[1] Passo da Pátria: Localidade situada nas proximidades da junção dos rios Paraguai e Paraná. Pertencente ao Paraguai, o local é repleto de áreas alagadiças com poucas terras firmes.
NOTAS DE RODAPÉ
[1] Passo da Pátria: Localidade situada nas proximidades da junção dos rios Paraguai e Paraná. Pertencente ao Paraguai, o local é repleto de áreas alagadiças com poucas terras firmes.